Eu estava ali, em meu quarto, sentado na velha cadeira de computador que um dia já foi preto brilhante, hoje cinza escuro, eu que outrora emanava criatividade agora me via seco, tal como a cadeira cinza escuro, buscando uma boa história para ser remetido à época em que ainda pagava minhas contas.
A televisão permanece desligada, habitada por uma pequena aranha e sua majestosa teia, nela um pequeno inseto infortúnio trepida antes de virar comida, a aranha teria uma bela refeição, eu não tinha a mesma sorte.
Sintonizo o rádio na esperança que uma musica consiga sintetizar meus sentimentos, me enviar uma luz, mas a música que toca, não contagia a minha toca, tão pouco as pilhas de livros e de roupas por passar.
Começo a dedilhar as teclas apagadas do computador, as primeiras palavras, ainda desconexas vão saindo quando sou surpreendido com uma voz que atravessa a música ao meio, trazendo um grave comunicado.
Com um nítido tom de desespero a voz afirma, categoricamente e sem rodeios, que o mundo esta a beira do colapso, é o fim, o sol irá apagar, de fato, o céu começa a ficar escuro e meu relógio aponta, apenas, três da tarde.
Através da janela o caos havia se instalado, todas aquelas cenas tão repetidas de filmes do fim do mundo se desenrolavam ao esticar do pescoço, eu tentava ficar alheio a toda aquela situação, era preciso manter o foco, ainda não tinha a história e agora só havia uma certeza, meu tempo era ainda menor.
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